Crescer costumava significar abrir uma loja nova, contratar vendedores e alugar outro ponto. No mercado público, existe um caminho mais leve. A Lei 14.133/2021 tornou a forma eletrônica a regra nas licitações, e o pregão é disputado pela internet. Uma empresa de uma cidade pequena pode vender para um órgão a milhares de quilômetros.
A licitação eletrônica é a regra
O artigo 17, parágrafo 2º, da Lei 14.133/2021 diz que as licitações serão realizadas preferencialmente sob a forma eletrônica. A forma presencial é exceção e precisa de justificativa.
Na prática, quase todos os pregões de órgãos federais, estaduais e de boa parte dos municípios acontecem em plataformas online, como o compras.gov.br e outros sistemas autorizados. Você se cadastra uma vez e pode disputar em qualquer lugar do país.
O que você precisa para disputar à distância
- Cadastro na plataforma usada pelo órgão. O compras.gov.br é o mais comum, com o SICAF.
- Certificado digital ou acesso pela conta gov.br, conforme o sistema.
- Documentos de habilitação em PDF, atualizados.
- Internet estável e alguém para acompanhar a sessão.
Não é preciso ter endereço no estado do órgão. Exigir isso sem justificativa restringe a competição, o que a lei proíbe.
A logística é a parte que exige conta
Se a disputa é online, a entrega é física. Antes de dar lance para outro estado, responda:
- Quanto custa o frete até lá, para a quantidade pedida?
- O prazo de entrega do edital é viável por transportadora?
- Se o produto for recusado, quanto custa trazer de volta e reenviar?
- O contrato exige assistência técnica local ou atendimento presencial?
Para produtos leves e de valor alto, como equipamentos de informática, peças ou material técnico, vender longe costuma valer a pena. Para produtos pesados e baratos, como papel ou água mineral, o frete pode inviabilizar.
Serviços também podem ser disputados de longe
Alguns serviços podem ser prestados remotamente, como desenvolvimento de software, suporte técnico, tradução e treinamento online. Outros exigem equipe no local, e aí é preciso avaliar se você consegue contratar gente na região ou firmar parceria.
Contrato fechado, execução organizada
Depois de ganhar um pregão em outro estado, a relação com o órgão continua quase toda à distância. A nota de empenho chega por e-mail, a comunicação com o fiscal do contrato é por telefone ou mensagem, e a nota fiscal é enviada eletronicamente. O que exige cuidado é a entrega: combine com a transportadora a janela de recebimento do órgão, informe o número do empenho na nota e peça o comprovante assinado. Um bom primeiro contrato à distância vira atestado e abre portas para os próximos.
Comece pelo que você já faz bem
Crescer sem filial não significa disputar tudo. O caminho mais seguro é:
- Escolher os produtos ou serviços em que você tem melhor preço.
- Disputar primeiro na sua região, para ganhar experiência e atestados.
- Ir ampliando o raio aos poucos, conforme a logística fecha.
- Usar os benefícios de microempresa da LC 123/2006, que valem em qualquer lugar do país.
O desafio de encontrar as oportunidades
Quando o país inteiro vira mercado, o problema passa a ser outro: achar as licitações certas no meio de milhares de publicações. O PNCP reúne as contratações de todos os entes, mas é preciso pesquisar todos os dias, porque os prazos são curtos. Você também pode ver as licitações abertas e as listas por segmento em licitações para cada ramo.
Com organização, o mesmo escritório que atende a cidade pode atender clientes públicos em vários estados.
Se você quer encontrar essas oportunidades sem passar o dia procurando, use o LicitaGuia: digite o CNPJ da sua empresa e veja as licitações abertas do seu ramo. As novas chegam no seu WhatsApp assim que são publicadas.
Este texto explica a regra geral e não substitui a leitura do edital, que é o que vale para cada licitação.