Tem semana em que a loja fica vazia. O aluguel e os salários não esperam. Enquanto isso, milhares de órgãos públicos estão comprando, todos os dias, pela internet. Muitos lojistas nem sabem que podem participar.
O governo compra o que a sua loja vende
Papelaria, material de construção, informática, autopeças, utilidades domésticas, roupas, calçados, ferramentas, produtos de limpeza, alimentos. Tudo isso aparece em licitações de prefeituras, escolas, hospitais e secretarias.
Com a Lei 14.133/2021, a regra é a licitação em formato eletrônico. Isso quer dizer que você participa do computador, sem viajar e sem fechar a loja.
As duas portas mais fáceis
Dispensa eletrônica. É usada em compras de pequeno valor, abaixo do limite atualizado por decreto a cada ano. O órgão publica o que precisa, os fornecedores dão lances por um período curto e quem oferece o menor preço é chamado. Exige poucos documentos.
Pregão eletrônico. É a modalidade para bens e serviços comuns. Há fase de lances em tempo real e depois a análise dos documentos do vencedor. Em itens de até R$ 80 mil, a disputa costuma ser exclusiva para microempresas e empresas de pequeno porte, pela LC 123/2006.
O que você precisa ter
- CNPJ ativo com CNAE compatível com o que vai vender;
- Certidões negativas em dia: federal, estadual, municipal, FGTS e trabalhista;
- Cadastro no Compras.gov.br, para compras federais e de muitos municípios;
- Cadastro nos portais que as prefeituras da sua região usam;
- Certificado digital ou conta gov.br com nível adequado, conforme o portal.
Vantagens que o lojista tem
Você já tem estoque, fornecedores e nota fiscal. Isso é meio caminho andado. Muitas compras públicas pedem entrega em poucos dias, e quem tem o produto na prateleira sai na frente.
Se você está perto do órgão, o frete pesa menos e a entrega é mais rápida. Prefeituras da sua cidade e das cidades vizinhas são o primeiro alvo natural.
Cuidados para não ter prejuízo
Vender ao governo é diferente de vender no balcão. Fique atento a três pontos:
- Prazo de pagamento: o órgão paga depois da entrega e do aceite. Planeje o caixa para esperar.
- Especificação: entregue exatamente o produto descrito. Marca ou modelo diferente pode ser recusado.
- Compromisso: quem vence e não entrega pode sofrer multa e impedimento de licitar.
Antes de dar o lance, calcule o preço com frete e impostos. Defina o mínimo que você aceita e não passe dele.
Como encontrar as compras
As compras são publicadas no Portal Nacional de Contratações Públicas, o PNCP, e nos portais de cada órgão. O desafio é o volume: são muitas publicações por dia, e garimpar tudo toma tempo que o lojista não tem.
A dica é filtrar pelo que você vende e pela região que você atende. Separe dez minutos por dia para olhar as novidades. Com o tempo, você aprende quais órgãos compram mais do seu ramo e em que época.
Comece com pouco
Não precisa virar especialista de uma vez. Escolha uma dispensa pequena, de produto que você conhece, e participe. A primeira venda ensina mais que qualquer curso. Depois, vá subindo para pregões maiores.
Uma renda que não depende do movimento
A grande vantagem das compras públicas é que elas seguem um calendário próprio. Escola compra material no início do ano. Prefeitura compra limpeza e manutenção o tempo todo. Hospital compra todo mês. Isso não depende de quem passa na frente da sua loja.
Para o lojista, o governo pode virar uma segunda vitrine, que funciona mesmo nos dias de chuva.
No LicitaGuia você digita o CNPJ da sua empresa e vê na hora as licitações abertas do seu ramo. Depois, as novas chegam direto no seu WhatsApp, sem precisar garimpar portal por portal.
Este texto explica a regra geral e não substitui a leitura do edital, que é o que vale para cada licitação.