LicitaGuia Ver quais são pra mim

Restos a pagar: o empenho que passa de ano continua sendo devido

Por

Como vender26/10/2026

É comum o fornecedor entregar no fim do ano e o pagamento não sair até 31 de dezembro. Aí vem a dúvida: o órgão ainda deve? O dinheiro sumiu com a virada do ano? Na maioria dos casos, não. A despesa vira o que a contabilidade pública chama de restos a pagar.

Como funciona a despesa pública

Para entender restos a pagar, é preciso conhecer as três etapas da despesa, previstas na Lei 4.320/1964:

Sem empenho, a despesa não deveria nem começar. Por isso, a nota de empenho é o documento mais importante para o fornecedor guardar.

O que são restos a pagar

O artigo 36 da Lei 4.320/1964 define restos a pagar como as despesas empenhadas e não pagas até 31 de dezembro. Elas passam para o ano seguinte como uma dívida do órgão, ainda vinculada ao orçamento do ano em que foram empenhadas.

Elas se dividem em dois tipos:

O risco dos não processados

Restos a pagar não processados podem ser cancelados conforme regras de cada ente, por exemplo quando não são liquidados dentro do prazo fixado. Se isso acontece antes de você entregar, o empenho deixa de existir e o órgão precisaria emitir um novo, com orçamento do ano corrente.

Por isso, se sua entrega ficou para o ano seguinte, converse com o setor de compras. Pergunte se o empenho foi inscrito em restos a pagar e até quando a entrega pode ser feita.

E se já entreguei e não recebi?

Se a despesa foi liquidada, o órgão deve. A obrigação não desaparece com a virada do ano. A Lei 14.133/2021, no artigo 141, ainda determina que os pagamentos sigam a ordem cronológica das exigibilidades, por fonte de recurso. Furar a fila só é possível em situações justificadas e publicadas.

Para cobrar:

Mesmo que o empenho tenha sido cancelado por erro depois que você entregou, a dívida continua existindo. Ela pode ser reconhecida como despesa de exercício anterior. Nesse caso, cobre formalmente e guarde cada protocolo.

Dicas para o fim do ano

Muitos órgãos correm para empenhar no fim do ano para não perder orçamento. É uma boa época para vender, desde que você controle prazos e papéis.

Planeje o caixa

Restos a pagar processados costumam ser pagos nos primeiros meses do ano, mas isso depende do caixa do órgão. Não conte com o dinheiro em janeiro se o histórico daquele cliente for de atraso. Diversificar clientes públicos reduz o risco de ficar dependente de um só.

No LicitaGuia você digita o CNPJ e vê as licitações abertas do seu ramo, em vários órgãos, e recebe as novas pelo WhatsApp. Assim fica mais fácil espalhar suas vendas por mais de um cliente.

Este texto explica a regra geral e não substitui a leitura do edital, que é o que vale para cada licitação.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), dados abertos.

Licitações desse ramo, todo dia

Veja o que os órgãos públicos costumam comprar e quem tem vencido:

Compra E Venda de Imóveis PrópriosCorretagem Na Compra E Venda E Avaliação de ImóveisEdição Integrada À Impressão de Cadastros, Listas E de Outros Produtos Gráficos

Sua empresa não precisa esperar sair na notícia

Digite o CNPJ e veja, de graça, quais compras públicas têm relação com o que a sua empresa vende ou faz.